Nesta semana, ao ir a um local para entregar um livro, fui surpreendido por uma pergunta aparentemente simples, mas carregada de significado. Ao conversar com algumas pessoas, alguém apontou para um senhor de mais idade — aparentemente o dono ou chefe do local — e questionou:
“Educação financeira serve para ele também?”
Indaguei, então: por que não?
A resposta veio em tom descontraído:
“Ele tem dinheiro, mas é muito seguro.”
Todos riram, inclusive o próprio senhor. Em seguida, os olhares se voltaram para mim, como se esperassem uma explicação definitiva. Foi nesse momento que percebi o quanto aquela pergunta representava uma visão comum — e equivocada — sobre o que, de fato, é educação financeira.
Aproveitei a ocasião para contar um pouco da minha história. Venho de uma família muito humilde, e quem cresce em um ambiente de escassez aprende cedo que segurança vem em primeiro lugar. Quando se trata de dinheiro, mais importante do que chegar a algum lugar é não voltar para a situação da qual se saiu. Essa vivência ajuda a explicar por que muitas pessoas se tornam mais cautelosas com gastos ao longo da vida.
O educador financeiro Gustavo Cerbasi chama esse comportamento de *perfil poupador*. Segundo ele, são pessoas que entendem a importância de guardar dinheiro e, por isso, não se importam em restringir ao máximo os gastos atuais para poupar o que for possível e conquistar independência financeira. No entanto, Cerbasi alerta que, apesar da disciplina e da capacidade de economizar, esse perfil pode acabar se conformando com um padrão de vida excessivamente simples e com restrições a novas experiências.
Essa ideia dialoga com o conceito de *“arquivos mentais”, apresentado por T. Harv Eker, autor de *Os Segredos da Mente Milionária. Para Eker, com base em nossas vivências — especialmente na convivência e nos aprendizados adquiridos com nossos pais — criamos registros mentais que influenciam, muitas vezes de forma inconsciente, todas as decisões financeiras que tomamos ao longo da vida.
Diante daquela pergunta, percebi que precisava explicar, em poucas palavras e sem superficialidade, o verdadeiro significado da educação financeira. A palavra que melhor define esse conceito, ao meu ver, é *equilíbrio*.
Ter equilíbrio financeiro exige planejamento. Significa saber quanto se ganha, quanto se pode gastar, organizar despesas por categorias e, igualmente importante, permitir-se viver novas experiências. Educação financeira não é apenas poupar, nem apenas gastar — é saber quando e como fazer cada um deles de forma consciente.
Se em 2025 você não conseguiu se planejar a ponto de viver nenhuma nova experiência, 2026 surge como uma nova oportunidade. Reorganizar-se financeiramente também é um ato de autocuidado.
Permita-se.
Para quem deseja dar os primeiros passos nesse caminho, o livro *“Dia a Dia nas Finanças”* é um convite à reflexão e à prática. Mais conteúdos sobre educação financeira podem ser acompanhados pelo Instagram, no perfil *@af.financas, ou pelo contato *(35) 98836-2935**.
Educação financeira não é sobre quanto você tem, mas sobre como você se relaciona com o dinheiro — em qualquer fase da vida.




