Você já percebeu que, muitas vezes, seus filhos fazem exatamente aquilo que você faz, mesmo quando você pede que eles façam diferente?
Existe um ditado popular que diz que “a fruta não cai longe do pé”. Embora seja uma expressão simples, ela ajuda a explicar algo que observamos diariamente: crianças aprendem muito observando as pessoas que estão ao seu redor, principalmente os próprios pais.
É verdade que existem inúmeras pesquisas e teorias sobre a influência das pessoas com quem convivemos. Há quem diga, inclusive, que somos a média das cinco pessoas com quem passamos mais tempo e que estamos conectados a qualquer pessoa do planeta por meio de apenas outras seis.
Independentemente de concordarmos ou não com essas afirmações, existe algo difícil de contestar: grande parte daquilo que aprendemos sobre a vida começa dentro de casa.
Nossos pais não nos ensinam apenas quando sentam para conversar conosco. Eles ensinam quando trabalham, quando discutem, quando fazem escolhas, quando lidam com dificuldades e, principalmente, quando tomam decisões que envolvem dinheiro.
É por isso que, muitas vezes, o comportamento ensina mais do que as palavras.
Imagine um pai dizendo ao filho que é importante cuidar da saúde, enquanto mantém hábitos que contradizem aquilo que fala. Ou uma mãe orientando o filho a economizar dinheiro enquanto compra por impulso e vive reclamando que nunca consegue fazer o salário chegar ao fim do mês.
Qual mensagem a criança absorverá?
Provavelmente, muito mais aquela que ela observa do que aquela que ouviu.
Isso também vale para as finanças.
Pais que não acompanham quanto ganham e quanto gastam, que não estabelecem prioridades, que vivem constantemente endividados ou que tratam o dinheiro como um assunto que não deve ser discutido podem, sem perceber, transmitir aos filhos comportamentos que serão repetidos no futuro.
E não se trata de dizer que os filhos necessariamente repetirão tudo o que os pais fazem. Cada pessoa constrói sua própria história e pode escolher caminhos completamente diferentes.
Mas, quando alguém decide seguir uma direção diferente daquela aprendida dentro de casa, geralmente encontrou outras referências que mostraram que uma realidade diferente também era possível.
Por isso, ensinar educação financeira aos filhos não começa necessariamente com uma mesada, uma planilha ou uma aula sobre investimentos.
Pode começar simplesmente pelo exemplo.
Se você quer que seu filho aprenda a planejar, deixe que ele veja você planejando.
Se quer que ele aprenda a controlar os gastos, mostre que você também controla os seus.
Se deseja que ele compreenda a importância de poupar, demonstre que você é capaz de adiar uma satisfação de hoje para alcançar um objetivo amanhã.
E se você cometeu erros financeiros, não precisa escondê-los.
Talvez uma das maiores lições que possa oferecer aos seus filhos seja mostrar que errar faz parte, mas aprender com os erros é uma escolha.
A educação financeira dos filhos, portanto, não começa quando eles recebem o primeiro salário. Ela começa muito antes, quando ainda estão observando como a família se relaciona com o dinheiro.
No fim das contas, talvez nossos filhos não sigam exatamente aquilo que dizemos.
Mas existe uma grande possibilidade de que aprendam muito daquilo que fazemos.
Então, antes de perguntar o que você está ensinando aos seus filhos, pergunte a si mesmo: o que eles estão aprendendo ao observar você?







