Com morros, descidas e mudanças constantes de ritmo, atletas precisarão controlar a ansiedade e focar em uma “fatia” da prova por vez para evitar desgaste físico e emocional durante o percurso.
A corrida começa antes da largada
“Quem corre já deve ter ouvido muitas vezes a frase: ‘a corrida é mental’.” E sim, isso é verdade. Mas em provas difíceis, controlar a mente pode ser tão importante quanto treinar as pernas.
A corrida da 79ª Cia PM de Guaxupé, marcada para o dia 7 de junho de 2026, vem chamando atenção justamente por fugir dos percursos tradicionais. Será uma prova com muitas subidas, descidas e mudanças constantes de ritmo, exigindo preparo físico, estratégia e controle emocional.
E talvez o maior erro do atleta seja tentar correr a prova inteira antes mesmo da largada.

A técnica da fatiação
É aí que entra uma estratégia muito usada por corredores experientes: dividir mentalmente a prova em pequenas partes, como se cada trecho fosse apenas uma fatia da corrida.
O conceito é simples.
Imagine uma pizza inteira. Comer tudo de uma vez parece difícil. Mas quando ela é dividida em fatias, o processo se torna mais leve. Na corrida funciona da mesma forma.
O atleta não deve pensar nos quilômetros finais logo na largada. Não deve sofrer antecipadamente pela subida da Catedral ou pelo desgaste da reta final.
O segredo é viver apenas o momento atual.
Uma fatia por vez.
Quando o corredor pensa somente no trecho que está percorrendo naquele instante, ele reduz a ansiedade, controla melhor a respiração e preserva energia física e emocional.

Primeira fatia: controle a adrenalina
A primeira fatia vai da largada até a rotatória do Maga Imigrantes. Esse talvez seja um dos trechos mais perigosos da corrida.
Como é o primeiro quilômetro e o percurso é praticamente reto, a tendência natural é sair acima do ritmo planejado, impulsionado pela adrenalina e pelo corpo ainda descansado.
O problema é que logo depois virá a subida até a TV Sul.
Quem exagerar no início pode “quebrar” logo no primeiro grande desafio da prova. Nesse momento, o atleta precisa entender que corrida não se vence no primeiro quilômetro.
Mas pode ser perdida nele.
Segunda fatia: economize energia
A segunda fatia será justamente a subida da TV Sul, seguida pela descida até a Maria Fumaça, depois a entrada na Avenida Conde Ribeiro do Vale e o trecho até a rua que sobe para a Catedral.
Esse percurso mistura subida, descida e mudanças constantes de ritmo.
Nas descidas, o corredor pode aproveitar a gravidade ao seu favor, soltando mais a passada sem desperdiçar energia. Já nas retas, o ideal é ajustar o pace e controlar a respiração.
O segredo aqui será simples: economizar energia.
Porque ainda não será hora de pensar na chegada.
Terceira fatia: vença a subida da Catedral
A terceira fatia será a mais difícil da corrida: a subida da Catedral.
Esse será o momento de encurtar as passadas, controlar a respiração e manter o foco absoluto apenas naquele trecho.
Nada de pensar no quanto ainda falta.
Apenas viva aquela fatia.
Muitas vezes, a mente desiste antes do corpo. Por isso, quando surgirem pensamentos como “estou cansado”, “não vou aguentar” ou “não consigo mais”, o ideal será cortar rapidamente esses pensamentos e voltar a concentração para a passada, para a respiração ou substituí-los por mensagens positivas.
Pequenas mudanças na mente podem gerar grandes diferenças no corpo.
Após vencer a subida, o atleta será recompensado pela descida. Nesse momento, será importante relaxar os braços, soltar a passada e deixar o corpo fluir sem tensão desnecessária.
Quarta fatia: inteligência de prova
A quarta fatia vai do cruzamento da Rua da Catedral com a Avenida Conde Ribeiro do Vale até o retorno no Seo Conde.
Esse trecho possui elevações, ruas de calçamento e mudanças de terreno, exigindo atenção redobrada com a pisada e o controle do ritmo.
Aqui será importante correr com inteligência, aproveitando os pontos mais favoráveis para recuperar tempo sem gastar energia além do necessário.
Última fatia: nasce a superação
E então chega a última fatia.
Haverá um pequeno morro. As pernas já estarão pesadas. E a mente começará a negociar a desaceleração.
Mas é exatamente aí que nasce a superação.
A última parte da prova não será sobre pace. Não será sobre relógio.
Será sobre entrega.
Será o momento em que o atleta descobrirá que ainda consegue dar mais uma passada. E depois mais uma. E mais uma.
Porque o verdadeiro pódio não é apenas o das medalhas.
O verdadeiro pódio é vencer a vontade de parar.
A verdadeira vitória
E quando cruzar a linha de chegada, lembre-se de agradecer.
Agradeça pelas pernas que suportaram.
Pela mente que não desistiu.
Pela dor que ensinou.
E principalmente pela coragem de continuar quando seria mais fácil parar.
Porque haverá momentos em que o corpo pedirá para diminuir. A respiração ficará pesada. As pernas irão arder. E a mente tentará convencer você de que parar seria a melhor opção.
Mas é justamente nesses momentos que nasce o verdadeiro corredor.
Não aquele que corre apenas quando está tudo bem. Mas aquele que continua mesmo diante do desconforto, da subida e da vontade de desistir.
Cada passada será uma vitória.
Cada subida vencida será uma prova da sua força.
Cada metro percorrido mostrará que você é mais forte do que imaginava.
Porque no final, o maior adversário nunca será o morro, o percurso ou o relógio.
Será a voz dentro da cabeça dizendo que você não consegue.
E mesmo assim… você continua.
Porque a maior corrida sempre acontece dentro da mente.






